Você adormece sem dificuldade. E aí, entre três e quatro da manhã, os olhos abrem. A casa está em silêncio, ninguém precisa de nada, e é exatamente aí que a cabeça começa a trabalhar. Conta, filho, exame, aquela conversa mal resolvida. Você olha o relógio a cada vinte minutos e o dia começa antes da hora.
Escuto esse relato de muitas mulheres, quase sempre das que passam o dia inteiro dando conta de tudo com competência.
Por que na madrugada
Durante o dia você está ocupada, e a ocupação é uma forma eficiente de não sentir. À noite, quando o barulho de fora cessa, o que estava esperando encontra espaço para aparecer.
É por isso que a madrugada é tão certeira. Ela não inventa problema, ela devolve o que você adiou. E costuma devolver tudo de uma vez, sem ordem e sem tamanho, o que faz qualquer assunto parecer imenso às três da manhã.
O que você não escuta durante o dia vem cobrar audiência quando a casa silencia.
O que ajuda naquela hora
Se em quinze ou vinte minutos o sono não voltar, levante. Ficar na cama brigando com a insônia ensina o corpo a associar a cama com angústia.
- Vá para outro cômodo, com luz baixa, sem celular. A tela avisa ao corpo que é hora de acordar.
- Escreva o que está na cabeça, à mão, sem organizar. Muita coisa perde tamanho quando sai da cabeça e vai para o papel.
- Respire alongando a saída do ar. Inspire contando até quatro e solte contando até seis, por alguns minutos. A expiração longa acalma o corpo, e o corpo calmo convence a mente.
- Volte para a cama quando sentir o corpo pesar, e não quando achar que já deu tempo suficiente.
E durante o dia
Aqui está a parte que resolve de verdade. Se a madrugada é onde o não sentido aparece, o caminho é dar a ele um espaço antes.
Uma pausa de dez minutos no fim da tarde, sem tela e sem tarefa. Um caderno onde as preocupações do dia são escritas antes do jantar. Uma conversa que você vem adiando há semanas. Parece pouco perto do tamanho da insônia, e é justamente o que muda o quadro em algumas semanas.
Quando procurar ajuda
Se isso acontece quase todas as noites há mais de um mês, se o cansaço já atrapalha o seu dia, ou se junto vem uma tristeza que não passa, procure acompanhamento profissional. Também vale investigar o lado físico: nessa fase da vida, alterações hormonais mexem bastante com o sono, e a saúde da mulher merece esse olhar.
Nenhum desses caminhos exclui o outro. O corpo pede cuidado médico, e a alma pede escuta.
Você merece dormir tranquila. E merece ser escutada antes das três da manhã. Vamos juntas?
Quer aliviar o que não deixa você descansar?
Me manda uma mensagem. A gente conversa sobre o seu momento e sobre o cuidado que faz sentido agora.
Falar com a Lu