Você foi promovida, elogiada, chamada para o projeto importante. E a primeira coisa que sentiu não foi alegria, foi um susto: e se descobrirem que eu não sou tudo isso?
Essa sensação tem nome, síndrome da impostora, e chega até mim com uma frequência que impressiona. Quase sempre em mulheres competentes, com currículo bonito e resultado na mão. Por fora, resolvidas. Por dentro, esperando o dia em que alguém vai perceber a farsa.
O elogio entra e não fica
Repare no que você faz quando recebe um elogio. Encolhe, desconversa, atribui à sorte, ao time, ao momento bom do mercado. É um movimento tão rápido que passa despercebido, e ele explica muita coisa: se o reconhecimento não entra, a insegurança nunca é preenchida, por mais conquistas que você acumule.
Aí vem a compensação. Você estuda mais que todo mundo, prepara a reunião até tarde, revisa cinco vezes. Funciona, e é justamente por funcionar que a armadilha se fecha: você conclui que só deu certo porque se esforçou demais, e não porque você é boa.
Onde isso começou
Muitas de nós crescemos ouvindo que era feio se achar. Que menina bonita é modesta. Que a que se destaca demais fica sozinha. Aprendemos cedo a pedir desculpa por ocupar espaço, e essa lealdade continua ativa muito depois de o cargo ter mudado.
E tem uma camada mais funda, que aparece na constelação. Às vezes a mulher não se autoriza a ir além de onde a mãe ou a avó puderam ir. Por dentro, brilhar parece uma traição, como se prosperar fosse deixar as mulheres que vieram antes para trás. Então ela conquista, e imediatamente diminui a conquista, para não se separar delas.
Você não precisa ficar pequena para continuar pertencendo às mulheres que te trouxeram até aqui.
Um exercício que devolve o chão
Faça uma lista das suas últimas conquistas, uma por linha. Ao lado de cada uma, escreva o que você fez para que acontecesse. Não a sorte, não o time, o que você fez.
Depois leia em voz alta, devagar. Repare no que aperta no corpo enquanto você lê. Esse desconforto é o ponto exato do trabalho, e ele costuma ter uma história antiga por trás.
Uma coisa importante
Perceber que você ainda tem o que aprender é maturidade, e isso não é síndrome nenhuma. O que adoece é a certeza permanente de não ser suficiente, mesmo diante da prova do contrário.
Uma rosa não passa a vida se perguntando se merece ser rosa. Ela é. E você também já é, muito antes da próxima entrega.
Você não enganou ninguém. Você chegou aqui pelo que você é. Vamos juntas?
Quer parar de duvidar do seu próprio valor?
Me manda uma mensagem. A gente conversa sobre o seu momento e o cuidado que faz sentido para você agora.
Falar com a Lu