Durante muito tempo eu vesti a carapuça. A máscara da adequada, da bonitinha, da simpática. E, sim, ganhei muitas portas abertas com ela. Mas hoje eu te digo, com carinho: essa máscara aperta.
Talvez você conheça essa mulher por dentro. Ela é habilidosa, presente, resolve. As pessoas gostam dela. Ela quase nunca incomoda, quase nunca discorda em voz alta, quase nunca diz um não que possa desagradar. Por fora, parece leveza. Por dentro, é um cansaço que ela não sabe explicar.
De onde vem essa máscara
A gente não nasce assim. A menina aprende, muito cedo, que existe um jeito de ser que é premiado com amor e aceitação. Ela percebe o que agrada e passa a oferecer isso. Vira a filha que não dá trabalho, a amiga que está sempre disponível, a profissional que segura tudo. Foi uma forma inteligente de pertencer. O problema é quando a estratégia de sobrevivência da infância continua governando a mulher adulta.
No olhar sistêmico, muitas vezes esse jeito não é nem seu. É uma lealdade. A gente repete um padrão que vem da mãe, da avó, de uma linhagem de mulheres que também precisaram se encolher para caber. Você carrega, sem perceber, um fardo que começou antes de você nascer.
O preço que ela cobra
A máscara da adequada protege, mas cobra caro. Ela pede que você se abandone um pouquinho todo dia. Que engula o que sente para não gerar desconforto. Que diga sim quando o corpo já disse não. Com o tempo, isso vira vazio, autocobrança, uma sensação de não ser suficiente por mais que você faça.
Uma rosa não pensa em virar rosa. Ela é uma rosa. E jamais se compara com a margarida para florir menor.
Eu gosto dessa imagem porque ela desarma a comparação. Você não precisa se moldar para ser aceita. A sua autenticidade não é um risco a ser gerenciado, é a sua maior beleza.
O caminho de volta
Tirar a máscara não é virar dura, ríspida ou fria. É diferente. É se dar permissão de ser inteira: continuar gentil, mas a partir da sua própria referência, e não da aprovação dos outros. Alguns passos que convido você a sentir:
- Perceber, no corpo, a hora em que você diz sim só para agradar.
- Nomear o que sente, mesmo que baixinho, primeiro para si mesma.
- Experimentar pequenos nãos, e observar que o amor verdadeiro não vai embora por causa deles.
- Olhar com gratidão para as mulheres que vieram antes, e devolver, com respeito, o fardo que não é seu.
Esse é um trabalho de dentro para fora. Não acontece num estalo, acontece na escuta amorosa de quem você é por baixo de tudo o que aprendeu a representar. E é um caminho que se faz com mais leveza quando você não está sozinha.
Sei que você deseja ser vista e amada do jeito que é. Há um caminho para isso. Vamos juntas?
Pronta para tirar a máscara?
A Jornada do Feminino é um caminho de reconexão com a sua essência, para você voltar a se pertencer, no seu ritmo.
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