Você passa pelo espelho e desvia. Encontra uma foto de dez anos atrás e sente um aperto. Compra a roupa um número maior e não conta para ninguém. Por fora está tudo bem, e por dentro existe um luto que raramente é nomeado.
Muitas mulheres chegam até mim falando de corpo e, em dez minutos, a conversa já está em outro lugar: no medo de sumir, de não ser mais desejada, de perder o valor que elas achavam que estava na aparência.
O que está sendo perdido de verdade
Quando uma mulher olha o espelho aos quarenta e cinco e não se reconhece, raramente o problema é a ruga. O que dói é o que a ruga significa para ela: que o tempo passou, que uma fase acabou, que talvez ela tenha deixado de viver coisas que agora acha que não cabem mais.
Por isso a conversa sobre o corpo é sempre uma conversa sobre a vida. E é por isso que o procedimento estético, que pode ser ótimo e eu não sou contra nenhum, não resolve sozinho: ele muda a imagem, e a dor estava embaixo dela.
Você aprendeu isso de alguém
Repare em como as mulheres da sua imagem interna familiar falavam do próprio corpo. Sua mãe se achava feia? Reclamava do peso na frente das filhas? Parou de se cuidar em algum momento, como quem entrega os pontos?
A gente herda a relação com o corpo do mesmo jeito que herda o jeito de fazer o arroz. Muita mulher está repetindo, sem saber, a resignação que viu em casa: passou dos quarenta, acabou. Não acabou, e essa sentença não é sua.
A rosa não se compara com a margarida, e nem com a rosa que ela foi na semana passada.
Sair do julgamento e entrar no corpo
O caminho que eu proponho não passa por gostar de tudo o que você vê. Passa por voltar a habitar o corpo, em vez de ficar avaliando ele de fora, como se você fosse uma juíza olhando uma foto.
Habitar é sentir. É perceber os pés no chão, a respiração descendo, a temperatura da água no banho. Um corpo que é sentido para de ser só uma imagem a ser aprovada. E, curiosamente, quando ele volta a ser sentido, ele volta a ser cuidado com carinho em vez de castigo.
Um exercício simples
No banho, por uma semana, passe a mão pelo corpo com atenção e sem avaliar. Onde a mão passar, agradeça em silêncio: pelas pernas que te levaram, pelas mãos que trabalharam, pela barriga que talvez tenha gerado alguém.
Parece pequeno. Não é. Muitas mulheres choram na primeira vez, porque foram anos olhando para o próprio corpo com dureza, e o corpo estava esperando ser tratado bem.
Esse corpo te trouxe até aqui. Ele merece ser habitado, não julgado. Com carinho, Lu.
Quer voltar a habitar o seu corpo?
Me manda uma mensagem. A gente conversa sobre o seu momento e sobre o cuidado que faz sentido para você.
Falar com a Lu